quarta-feira

Dor

Passo meu dia só,
Com pesares,
Nostálgicos
Daquela a qual creio,
Ou pelo menos
Pronuncio,
Ser minha amada.
Quando de sua chegada,
Exuberante,
Numa esplendorosa exibição de seus dotes,
Me toca,                  
Me roça, 
Me beija,
Me afasta,
Me alicia,
Me encachaça,
Me ama,
Me goza,
E novamente,
Me afasta.

Me ama,
Mas,
Sem entrega,
Não permitindo que eu
A sugue,
A dispa,
A toque,
A possua,
E penetre,
Levando assim,
Sua alma.

Seu gosto:
É o de vinho esquecido,
Encarvalhado,
Rústico,
Amargo,
Com seu aroma
Insutil,
Insuave.

A mim resta:
Chorar,
Amanhecer,
Querer,
E sofrer,
Por sua bela,
Gélida
Presença em minha cama.

Marcia Soleni

Minha Adorada Amiga

Tu és a pessoa mais bela,
enchente de encantos,
desmistificadora da pequenez humana.

Tu és meu doce terno
com pingos de melancolia
uma raspa de nostalgia
e a textura do mais azul dos céus.

Tens a beleza de um poema magoado,
que nos extrai lagrimas e frissons o quando,
por lê-la,
abrangemos o quanto é acanhado
nosso conhecimento sobre o que é o amor.

Podes não perceber,
mas és tão soberana em teus encantos,
esparzindo raios de veracidades em teus olhares,
que neste mundo só os pequenos
podem compreendê-la.

E por isso
estes pequenos de alma,
como a tua,
tão pura,
lhe oferecem seus doces pelas ruas,
rendendo louvores,
e desejando a ti
a mais ingênua e lhana felicidade.

Perdoe-me por minha ausência!

Em meu egoísmo fechado,
acabei por isolar-me
e não soube pelo que passavas.

Torço por ti, por teu pai e por tua eterna felicidade.

Amo-te Muito,
mas tanto,
que se tornou pequeno para mim
o significado dessa tão simplória palavra,
amor!

Luiz

domingo

Domingo de Chuva



Domingo de tarde chuvosa, com a água escorrendo pela janela.
Ouço aquele som compassado que me traz a certeza de estar ainda mais sozinho.
Eu só queria estar com ela, esse meu amor proibido,
Por uma linda morena de olhos castanhos,
os quais eu pude ver esverdeados em um rápido relance,
provocados pelo suave toque de um raio de Sol.
O barulho da chuva insiste em me trazer o seu corpo
delgado, cândido com suas afáveis pernas,
passei  a ter a certeza de que sua silueta foi cunhada à mim,
com seu sorriso maroto de menina e mulher.
Queria levá-la comigo para o mar, poder correr,
com os pés descalços pela areia,
com as mãos e sorrisos dados, numa tarde como esta,
de chuva.
E me tornaria ainda mais cativo de sua presença quando em um beijo,
meus dedos se entretivessem por seu corpo molhado,
de chuva, ensopado pelo suor e desejo.
E dançaríamos livres, como se a música estivesse presente,
e apenas existíssemos nós dois nesse mundo.
Mas não devo tê-la.
Pois, não é apropriado realizar essa espécie de dedicação.
Banido assim estou, a viver apenas como seu mestre,
podendo ensinar-lhe meu carinho, transpassar-lhe meus poemas,
mas, nunca vindo a realizar esse amor que inventei.

sábado

A Pergunta:


Por várias vezes eu pensei em te escrever,
dizer que tudo me faz lembrar de você:
as ruas da cidade, minha casa e meus sonhos.
Dizer o quanto eu o queria.
O quanto ainda permanece dentro de mim,
esse amor que me lega doente.

E agora você consegue,
nessa minha infelicidade,
pulsar-me.
me deixando com esperança,
ao mesmo tempo tão feliz,
mas repleta de dúvidas.
E me pergunto o por que,
depois de todo esse tempo,
você me escreveu?

A Resposta:

Te escrevi por que é verdade,
por que é o que sinto.
Te escrevi por que vejo tuas fotos,
e me encho da lembrança,
de muitos momentos felizes,
e da melancolia de não saber
o "se" ou “como”
eu poderia estar ao seu lado.
Te escrevi, por que vives ainda dentro de mim.
Por que um episódio tão sem sentido
Como o de não estar ao seu lado,
não por vontade minha,
não por vontade tua,
não é fácil de persuadir
ao meu próprio coração.
Te escrevi por que minha cama,
sem você,
parece um mundo vazio,
sem o amor,
sem a esperança.
e quando estou nela,
noite após noite,
fecho meus olhos
e lembro de você ao meu lado,
e sinto seu corpo,
o seu gosto,
o seu cheiro,
e me lembro de seus gemido
quando fazíamos amor.
Sei que não é a coisa mais certa a dizer-te,
E que não posso prometer estar,
hoje, ao seu lado.
Mas,
te escrevi,
por que a saudade e o desejo dentro de mim,
são maiores do que a dor que sinto,
quando lembro que preciso te esquecer.

domingo

o que não teve fim

o Amor eterno,
se é que me admites
cognominar de eterno, o Amor.
não aquele de beijos novelistas,
tampouco o com quem
nós dois aprazamos em dividir nossas fábulas
outrossim o Amor eterno,
e ressalto, que:
digo-o eterno em tua licença,
só é eterno, pois, não contempla,
em meu nem em Teu peito,
por um só dia ou qualquer motivo,
a menor que seja das razões.
posso parecer-me
em precário óbvio, com tais palavras
mas, garanto que
ao derradeiro toque desses versos,
acreditarás que eu, um dia,
jazi, no passado,
desse nosso Amor.
com o alvará que tu me destes,
traduzindo-me letra após letra,
envolveu-me nesse poema,
e digo-te:
com a mais supre das causas
Ressalto ainda:
meu Amor foi eterno!
e não só enquanto existiu,
mas, se tornou eterno, pois,
jamais deparou por qualquer ensejo
que se tivesse o fim.
e se não o vivo
ao Teu lado, até o dia de hoje
minha Amada,
é por que nessa vida
houveram escolhas,
passagens, que muitas vezes
privam-me de seguir Tua estrada,
foram tolices estupendas,
sei bem.
e te fizerem não mais querer
ser minha Namorada
assim hoje, após seu sonho,
a mim ainda desconhecido
inevitavelmente indago
sobre onde levar-me-ia a outra via,
na qual a cada passo, eu pisaria
escoltado deste meu,
tão Teu,
Amor

seria ele inda o meu Amor eterno?
ou aprontaria como a chuva breve,
passageira,
que se foi e não mais voltou?

agora peço que não mais leias,
daqui por diante,
mesmo minutando
exclusivamente a Ti
minha Cobiçada
Terno e Feminino
na forma de minhas lembrança
Deusa, Cândida, Alva
que em meus sonhos confiava
peço-lhe perdão,
por cada uma de minhas patavinas
declaro-lhe meu Amor
como quiseres
gritando-O ou de surdina
digo-lhe em minha mais pura verdade,
que de nada O serviu a distância,
nem tempo ou outros amores,
pois em mim Tu ainda és viva,
em forma de Graça de Amor
e Esperança.

Menina

Às vezes me perco, no tempo
Olhando suas fotos intrigado
E sempre me lembrando
Aquela janela, por onde entrava
A luz do luar.
Iluminando o enlace tão lindo,
Nós dois
Em uma noite verdadeira,
Uma prova de amor.
Daí me pego a perguntar
Se tu és ainda aquela menina,
Tão doce e ingênua ,
Tão meiga,
Que fez minha essência cantar.
Lembro de nosso primeiro beijo,
Descarado,
De nossas noites e papos,
Tão doces quanto teu olhar.
És ainda, pra mim,
Aquela garota travessa.
É essa tua imagem que vou,
Para sempre,
Em meu peito guardar.

O amor

Jazido em extensa aflição
em meu íntimo
galgaz, oculto.

Não facultando resistir
do anseio sobejo
de um alvitre.

Pertencendo unicamente a mim
a nota do tão autêntico
imperfeito de todo um.

São muitas e abstrusas
indagas
que não posso objetar
em que me interessa ser
tão apenas
de ninguém.

Sinto é o pesar do peito
conflagrado
das lamúrias obscuras
desesperadas
da precisão incurável
do estro
da inocência singela
em ter fé
que o amor havia.