sábado

Distância

Sei que não estamos tão longe
Menos ainda, do mundo, em lados opostos
Como me esquadrinharam suas doces palavras
Mas arrisco através desse verso explicar-te
Em meu cerne, o que é essa famigerada distância
Esse sádico útero de meus sentimentos
Devassador carrasco de meus medos
Meu próprio moinho de vento,
Nessa infindável batalha contra o rei.
Ela é o que me faz não estar contigo
Nesse momento que te rabisco tão francas palavras
Ela é o que me faz ter receio de descobrir-te
Pois passou a existir em mim a certeza
Que depois desse ateie, primeiro, primórdio
Não me satisfará nada menos
Do que viver dentro de seu corpo
Emaranhado na densidão de sua alma
Respirando só o ar que me ocasione seu cheiro
Entregando-me ao sono exclusivamente
Após sentir seu deleite em meus olhos e boca
E assim, desses medos padeço
Padeço de meu desejo inexplicável
Desejo incontrolável de ter você para mim
Padeço dessa preferida por mim afeição
Afeição implacável tratadora de minha solidão
Padeço ainda da certeza de saber que se juntos
Viveríamos na penetração de nossa pele
O mais deleitável e longínquo ocaso de amor

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