quarta-feira

Existência

Existe uma dona quase é perfeita,
Com quem posso passar dias a fio
E nunca, jamais enfadar.
Dona de sumo carisma,
Formosura infinda
A germinar de seus peregrinos olhos,
Capaz de acordar a chama
Que a muito não conhecia meu coração.
Vejo-a como irreal companhia,
Astuta,
Delicada e afetuosa,
Alegre eamiga
Quem vive a jurar-me sua paixão.
Entreguei-me aos seus encantos,
Seduzi-me por sua glória,
Mas descobri que sob seu manto,
Há uma desresolvida história.
Me machucando com sua boca,
Quando só me fala de outro,
Com quem não devo disputá-la,
Por orgulho,
Por honra,
Ou talvez,
Por que não o fizesse com ninguém.


Existe também uma menina mulher faceira,
Com graça de um anjo
E o sorriso de lua,
Com seu fogo conflagrou minha mesa
E minha cama,
Com seu codilho
Mostrou-me de novo
Como é ardiloso este mundo.
Entreguei-me assim aos meus devaneios,
De crer que tudo
Era uma só verdade,
Mesmo sendo óbvia à distância,
Entre o seu desejar ser,
E a sua verdade.
Fez-me venturoso como nunca,
Despontou-me amante
Despindo a mim frente e verso
De sua paixão,
Mas como poderia amá-la,
Se não acredito que saiba
O que é entregar por completo
O seu coração.


Penso em minha amiga ausente
Mãe por completo,
Com seu sorriso de sol.
Boca carnuda, beijo molhado,
Tez suave e macia
Verdadeira artista,
Que comigo encenou o amor
Que realmente tivemos,
Mas por desajuste e mocidade
Não o vivemos,
Nem o deixamos morrer.


Por isso decido de mente,
Ficar com aquela que mais abranda
Todo este meu desejo
De paz e confiança,
Suor, amor e anseio.
Com seu lindo e delgado semblante,
Com seu beijo de amor oriundo,
Com suas curvas fartas inatas
Com sua verdade,
Simples,
Que viveria feliz
Em meu mundo.
Pra quem olhos todos os dias,
E a cada dia mais eu me encanto.
Pra quem eu confio meus ditos,
Em quem eu creio meu sangue.
Ela goza de minha vivência
Desfruta de meu gosto,
Meu corpo,
Minha moral.
Não sei se a amarei para sempre.
Mas nela
Vejo um ideal.

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