domingo

Metamorfoses


Não busco mais na vida motivo de grandes alegrias,
me contento se me servirem ovos estrelados
com a quantidade que julgo,eu, ser a ideal de sal.

Não creio mais, também, que encontrarei um, ou mais,
grandes amores em minha trajetória.

Contento-me com o beijo frio daquela moça
de belos cabelos e olhos sedutores
a qual provavelmente nunca mais verei,
e se vir talvez não me reconheça,
ou mais provável ainda, me reconhecer,
e atravessar para o outro lado da rua.

Desisti a pouco de sonhar com feitos grandiosos,
de correr atrás de virtuosos objetivos,
de ser alguém aclamado por meus feitos,
admirado por minha retidão.

Prefiro ser o ser humano no pior sentido da palavra:
mundano,
imperfeito,
insensível
e por tantas e tantas vezes egoísta,
ao ponto de ser intitulado de cruel.

Não sofro por fazê-lo
nem o faço por pose pensada,
inclusive, descobri a duras custas
que essas mudanças que desassossegavam meu peito,
que punham em prantos meu coração.

Hoje, tenho consciências plenas de todas as faculdades de meu ser,
de como posso viver de meus simples prazeres,
de como prefiro por milhões de vezes estar só
observando a abelha que exibe toda sua graça
tentando atravessar pela vidraça de minha janela,
do que estar a de outros,
iguais a mim,
companhia.

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