Primeira Noite
Tudo começou de um jeito estranho, não sabia onde estava, quis ser possuidor daquela boca, mas aquela mão tocou meus lábios impedindo que eu desse o primeiro beijo. Lembro-me daquele sorriso, lindo, que iluminava aquele momento, impedindo que a negativa me trouxesse alguma desesperança de concretizar aquele enorme amor, que me tinha. Sorriso de quem sabia o que fazia, que só deixou em mais em chamas meu coração.
Ela vestia uma calça preta, justa, revelando detalhes das formas de suas pernas, e uma bata, algo entre o bege e o creme, como um pequeno vestido, que revelava cada hora um de seus ombros, apenas insinuando em minha mente toda majestade de um corpo, sublime, que juro, era o alvo de cada um de meus aforismos. Tudo é tão curioso quando vivemos um sonho, minha noite parecia um viajem ao imaginário, um momento dividido entre o primoroso e o contemplativo.
De repente estava em algum lugar para dançarmos, como forasteiro, permitia ser conduzido sem querer nem ao menos saber para onde, só o que me valia naquela noite era, a dela, companhia. Ela ria e se divertia, me apresentando seus amigos e trocando comigo apenas olhares e sorrisos, tinha uma pequena garrafa translúcida nas mãos, eu bebia água com gás. Não havia rodelas de limão, algo, que somente naquele momento, não me incomodava como seria normal em cada qual de meus outrora dias.
Em certo instante me pegou pela mão e me levou a pista, lembro-me de cada movimento daquele corpo, as mãos atreladas sobre sua cabeça, o requebrar dos quadris, olhos fechados como se fosse sugada pela música, seus cabelos soltos atirados de um lado para o outro como se me hipnotizassem dizendo: venha, venha, venha, essa noite você será nosso.
A cada música que decorria eu e ela ficávamos um pouco mais contíguos, nos tocávamos apenas brevemente, embora por instantes a mais do que eram necessários. Quando não havia mais distância entre mim e aquele, que eu tanto cobiçava, corpo, ela se virou, e displicentemente continuo a balançar, brincando comigo, como se nada estivesse acontecendo. Eu podia reparar em relances quando ela virava a cabeça que os seus grandes olhos me procuravam, e que sua boca sorria quando aqueles se encontravam com os meus.
Já não havia relevância o ritmo da música, a única coisa que permanecia agora era o jogo de sedução no qual ela me envolvera, e eu me entregara, seguindo cada passo do que suas ações me ordenavam. Mexendo lentamente o corpo ela já não mais impunha distância entre nós, quando deitei minha mão em seu quadril ela consolidou aquele toque de maneira segura, sobrepondo-o com a sua própria mão. Meu ar já se misturava com seus cabelos e apenas conseguia sentir o seu perfume, toquei com minha boca levemente sua nuca, o que a fez tentar se aproximar mais de mim como se ainda existisse alguma distância a ser percorrida. Nossos corpos se encaixavam, sua outra mão procurava algo ao lado de meu rosto, até que descontente, por não encontrar se emaranhou em meus cabelos, não me puxava, mas me conduzia a continua exploração de cada pedaço de seu tão delicado pescoço com minha boca, meu nariz, onde eu absorto me destrinchava em dúvidas de onde seria o próximo passo para o qual ela me conduziria. Minha mão antes segura pela sua em próximo a sua cintura, já estava percorrendo o seu ventre, se perdendo entra a vontade de tocá-la e o pudor de não dever fazê-lo, descuidei dela apenas quando me deparei com seu ouvido a cultivando com meus lábios e suspiros que me fizeram quase arrancar dela cada um de seus poros.
Quando vi novamente seus olhos, e percebi que era o momento das duas bocas se encontrarem, sentia minhas pernas tremendo, meu peito disparado...
Depois disso, prefiro continuar lembrando como se tudo não tivesse passado de um sonho.
Após o Beijo
E aquele beijo, que agonizou meu coração, pois ali, naquele momento, descobriu que não mais viveria em paz sem sua presença, provocou em mim a certeza de que eu seria seu. Enquanto nossos lábios se tocavam, alternando-se entra a suavidade e o arrebatamento, e nossas línguas buscavam se encostar uma na outra, procurando dentro da boca do outrem sua morada, meu corpo se entregava ao desejo pelo seu amor, e eu podia sentir cada suspirar oriundo de sua respiração e cada revirada que oferecia, enquanto se consumia, com seus tão belos e carinhosos olhos.
E ali continuamos por momentos eternos dentro de minha lembrança, não sei se por quinze minutos ou quinze horas, só sei que aquele foi o momento de mais sublime candura que faculto me recordar. E nossos corpos se misturavam como a água da chuva caindo sobre a do mar, que vem de tão diferentes orbes, cada qual com suas distinções e histórias, mas ao se encontrarem se se tornam uma, uníssonas, mais belas e fortes do que já puderam ser a sós.
E enquanto me conduzia por aquele empíreo éden, minha alma apenas desejava que fosse seu, seu sim, por cada momento de minha vida. E por cada toque da luz em meus olhos que não traria sua silueta, por cada dia que eu acordaria sem sua presença, por cada música que eu ouviria sem a sua companhia, por cada minuto que eu viveria longe de seu sorriso, por cada noite mal dormida que eu encerraria sem ter experimentado seu amor, eu me pungia. e tive a certeza de que você descobrira o mesmo quando do toque de nossos olhares escorreram lagrimas acompanhadas de sorrisos de uma felicidade, difícil de explicar, mas que através da emoção delineada em nossos rostos, demonstrava, cada um dentro de si mesmo, que reconhecia o que se passava dentro do outro.
E de mãos dadas seguimos em frente em busca de nosso templo, onde em adoração, confessamos todos os pecados almejados por nossos pensamentos, e nos entregamos ao amor como em um ritual sagrado, seguindo cada passo de nosso desejo, lentamente, na mistura de nossas essências, e convecção de nossos corpos, sem inicio e sem fim. E nos deleitamos no prazer de nosso gozo, com olhares gentis e sorrisos sinceros, com nossas mãos juntas e nossos seios amparados pela certeza de ter vivido, naquela noite, uma grande história de amor.
O como pudemos ter essa certeza?
Isso é uma outra história...
Uma Noite, Uma História de Amor
Nossos corpos se encontravam na cama unidos, nos beijávamos enquanto nos despíamos lentamente. A cada peça que eu tirava de sua roupa, eu descobria um novo universo de detalhes que me induziam ao encanto. Sua pele se mostrava tenra e sedenta por cada toque de minha boca, assim como a minha estremecia e se arrepiava com o deslizar de suas mãos e com experimentar de seus doces beijos.
Beijando seus brandos seios, sentia seu corpo se contorcer, se entregando e desejando o meu, fui descendo lentamente chegando a seu ventre, onde passei a passear lentamente com minha língua, a procura de seus lábios, encontrando-os com os meus e possuindo-os dentro entre meus dentes, sentindo todo seu néctar escorrendo por meu rosto, sua menina, molhada por minha boca, e por toda excitação que estava a sentir por ela explorando cada centímetro de sua libido, de seu clitóris friccionado por minha língua, beijando e sugando de ti infindáveis suspiros de encanto. Seu gosto penetrando por minha existência, seu cheiro impregnado em todo meu ser, e seu corpo em continua evolução, se oferecendo mais a cada instante, próximo ao eretismo, ao sublime, a realização total de meus sentidos, desfrutando da visão e ciência do que meu beijo pode completar em ti.
Quando a vi acabada em meus braços, ainda se reavendo do que lhe causara minha boca, voltei a me aproximar de ti, beijando seu pescoço, falando baixinho em seu ouvido que te amo, penetrando em seu corpo, em sua alma, transformando nós dois em um só, ritmado pelo anseio de sentirmos todo o deleite de nosso ato, e devagar nos movíamos numa entrega sublime, explorando nossos olhares, nossos beijos, agora já desesperados, como quem quisesse aspirar toda vida que o outro pudesse conter, seguimos sem pressa, nos conhecendo em cada detalhe. Ao me rodar e se armar em cima de mim, você pode ver nos meus olhos que eu a adorava, numa verdadeira contemplação, e se satisfazia em me ver perder o controle, e descobria cada fraqueza minha, a cada um de seus movimentos, e abusava de seu poder sobre meu controle, sobre meu deleite, sobre nosso amor.
Percebendo de fluir de meu gozo, se desencaixou de mim brandamente, me empunhando delicadamente, e completando nosso enlaço me espalhou por todos seus seios, me escorrendo por seu ventre, sorriu resplandecente sabendo que me fez sentir o que jamais sentira, se deitando sobre meu corpo, me beijando com uma calma e carinho, de um jeito que só duas criaturas completas poderiam fazer.
E ali ficamos, olhos nos olhos, sorrisos marotos, e a certeza de nunca ter sentindo tamanho prazer, não pelo volume de nosso ato, nem pela intensidade de nossos orgasmos, mas pela candura de nossa entrega, descoberta de nossa harmonia, certeza, talvez vil, de nosso amor.
Fim
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