quarta-feira

Todo Poeta

Todo poeta projeta
Em sua musa
Seus ideais de belezas,
Sente com veracidade
A realização de suas cobiças,
Imagina completamente
Como são perfeitas
Suas carícias.

Todo poeta ama,
Mas, ama como um louco.
Ama mais do que pode englobar
O verossímil sentido
Da simplória palavra:
“amor”

Todo poeta sofre,
Da paixão
Não correspondida,
Do desengano
Que pode ser a vida,
Da tenuidade,
Entre o poema
E a tão cruel realidade.

Todo poeta infringe,
A sua amada:
Algum sofrimento
A quem ele quer:
Só mais um desalento
A ele próprio:
Sua real languidez.

Todo poeta acredita
Que sua vida
É a ponta do que idealiza,
Que sua ferida
É a que não cicatriza,
Que seu atormento
É único, e não digno
De isenção.

Por isso lhe digo
Menina, com cheiro de flor,
Com sorriso suave,
E crença,
No mais puro amor,
Não se entregue ao poeta,
Pois, todo poeta
Foi feito para uma eterna busca:
A busca do aprender
O que é o amar.

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