sexta-feira

Mais um que passou

Tenho todos os motivos
para não mais acreditar em meu coração,
novamente, ele me traiu
me entregou a quem provou,
ferozmente,
não merecer nem sequer,
o mais singelo, meu olhar.
Atuo como se pensasse:
ficarei bem,
seguirei em frente,
basta bater os meus pés
para não levar da senhora ingratidão
nem sequer a poeira
sob as solas de meus pés,
mas, andei nesse solo por muito tempo
descalço,
e sei que não irei com facilidade
apagar de minha mente
suas curvas suntuosas,
sua intensa beleza,
e todo gesto,
que nesse caminho,
desperdicei de minha atenção e carinho.

Eu sei que amei,
ou disse que amei,
mas o amor,
ao menos esse amor,
não sobreviveria
a sua doce traição,
a sua franca fraqueza
em ceder
a quem não lhe quer bem,
a sua mentira sem maldade,
a sua falta,
pura e simples,
de caráter
e ainda, uma gota quem sabe,
de sua própria personalidade.

Escolheste teus passos,
preferiu viver ao lado
de quem nada lhe acresce,
sob a triste e porca mascara
de sua sórdida família.
A mim,
só me resta desejar sua prosperidade,
mesmo sabendo
da melancólica estrela que caiu sobre você,
viver sem saber
como seria a felicidade,
nunca ter deitado em seu colo
alguém,
que lhe faça e verse
como eu escrevi
cada uma de nossas linhas.

Então eu somente lhe digo,
Que desse amor
eu levarei a lembrança
de seu cadáver entregue,
pelo direito e avesso,
ao meu corpo e minha cama,
levarei ainda em minha memória
a obra de ter ensinado a ti
a verdadeira essência de ser,
a qual você não mais será,
mulher.
E levarei ainda o amargo
gosto de sua ingratidão.

E deixarei a ti,
apenas um conselho,
aliado a uma verdade
de que ninguém ama
quem não ama a si mesmo,
e por mais que nada nessa vida
seja tão importante,
o que nos difere da animália
é expressarmos,
de coração,
toda a inutilidade de nossa arte.

E por fim,
nesse imundo poema,
deixo-lhe minha ultima palavra de carinho:

Adeus

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