quarta-feira

Ode ao amor

Levantei no meio da noite com apenas um pensamento em minha mente, o de existir em ser grato, eternamente grato, a cada uma das saias a quem meu peito já me entregou.

Sei que nenhuma destas foi perfeita, mas também, está bem longe de minhas pretensões exigir tal requinte, afinal, estou entre os mais faltos dos homens, tendo enorme “fome das sobremesas da vida”, e contemplo ser assim minha história, ponderando tal abonação como, dentre todas, a minha maior poesia.

Ah como sou grato, a cada uma daquelas imperfeições. Sem as quais minha vida teria sido atônita, miseravelmente entediante e sem a perspectiva do que é um verdadeiro júbilo de felicidade.

A todas elas, as infiéis, as devoradoras, ciumentas, ninfetas, fracas de caráter que não pelejaram sobre uma vírgula por mim, e até mesmo aquela que se deu a meu melhor amigo, eu juro solenemente, eu te amo. Amo com a maior força e expressão que pode um coração humano pretender amar.

Amo a cada uma mais que a mim mesmo, e sei que também só me amo em imódica proporção, por, no certo, e específico tempo, ter gozado da associação de cada uma de vocês.

Às que fui infiel, peço que me perdoem por meus adultérios, às que deixei de amar, convoco que se lembrem de mim com carinho, com aquela feição que as dediquei e nossos abris momentos de paixão. Às que me deixaram, obrigado por o terem feito naquele apropriado momento, antes das magoas póstumas e palavras que não seriam desditas. A aquela que pôs em suspeita meus culhões, agradeço por me ter demandado dentro de seus segredos, com o desespero e desejo, de engolir avidamente cada gota desse meu tão, a ti, suspeito amor.

Agradeço a cada briga armada sem razão, a cada acuso dito fora de questão, a cada palavra não dita quando não era eu a andar fora da mão.

Informo, e prometo, que jamais de mim apaguei, nem nunca jamais esquecerei, de cada mão, onde fica durante os seus beijos, de cada gemido ou suspiro arrancados pelo desejo, de suas, únicas, texturas de pele que com benevolência anediei.

Foram todas concisas, exatas, ao passar ali, em instante, por minha vida, me trouxeram o sabor da amarga doçura, embora sejam todas por mim preteridas, me mostraram um mundo no qual não se adequaria dizer que “é tudo vão, como o mexer em cinzas, vago como o momento em que ainda não é antemanhã”.

A cada uma de vocês deveras eu entrego, meu amor, meu mais sincero sorriso, e minha furtiva lembrança, de seu corpo impávido, abatido, desnudo sobre minha cama.

E se quiser, um dia desses, me telefona.

Nenhum comentário:

Postar um comentário